25 de set de 2009

EXPULSO DA QUADRILHA – PARTE 1

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. Esse é um título estranho para uma crônica, daqueles que já contam o fim sem contar a história. Entretanto, o fim vai mais longe, neste caso. E a quadrilha citada é só um grupo de crianças ensaiando na quadra da escola para uma inocente festa junina.
A professora Dona Vilma, muito bem intencionada, pegou seu grupo de 2ª Série primária e está tentando ensaiá-los para uma dança típica de junho, que será apresentada na festa da escola. São crianças de oito ou nove anos, todas se divertindo muito, mas tem um pequeno casal que, apesar de também estarem se divertindo muito, não estão nem aí prá quadrilha.
Eles dançam de tudo: bolero, valsa, rock, samba até fox-trot, e na velha vitrola da professora Itália Vilma, que imagino não era tão velha assim, (a vitrola, não a Dona Vilma) o som era o tradicional do quadrilheiro (no bom sentido, claro) Mário Zan... O garoto acostumado com Rock sessentista e a menina vidrada na Disco-dance dos setenta. Tá feita a merda...
A impaciência da Dona Vilma começa a ficar patente, ela tenta fazer com que os dois dancem junto com os outros dançarinos, naquele pique:
“Olha a cobra!”
“Huuuu!!!!”
“Pula a fogueira!”
“Huuuu!!!!”


E os dois saem a todo o momento da fila, ensaiam rocks, sambas... A Professora tenta, em vão, mantê-los no lugar certo, mas o garoto puxa a menina e a leva para outra aventura dançante fora do combinado. O pior dessa história, é que cada vez que o jovem e entrosado casal sai da fila, a fila vai atrás deles, numa dessas coisas inexplicáveis que as filas costumam fazer. O azar da Dona Vilma foi colocar o casal como primeiros, e o menino, sempre inteligente e destacado na turma, pegou o jeito... Ela deve ter achado que por ele sempre ser o destaque nas atividades lúdicas, seria um bom líder... Deu no que deu! Um ótimo líder para o quê ele queria fazer.
Depois de três dias de ensaio tentando mantê-lo no rebanho, o ovelha-negra se desgarrou de vez com a parceira para um passeio pelo pátio da escola e foi expulso da quadrilha...
O garoto não ficou triste, pelo contrário, não tava mesmo a fim de dançar mais a quadrilha depois que descobriu o interesse da menina nas suas traquinagens, mas ficou enciumado quando a professora arrumou outro parceiro para ela...
E prá surpresa geral, no quarto dia ela se negou a dançar com o outro menino e se retirou da quadrilha... Também.
E Ficaram os dois lá de longe olhando os outros: “Olha a cobra!!! U-húúúúúú!!!!!”


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TÁ CEDO!!!